domingo, 30 de junho de 2013

Sonntag, 30 Juni

   Hoje passamos para o nível hard da aventura europeia (e do exercício de convivência que está sendo esse confinamento de nós quatro): DEUTSCHLAND (é Alemanha em alemão. A segunda palavra que eu aprendo hoje. A primeira foi "Ausfahrt", no aeroporto, que eu não lembro mais como se pronuncia).
    Acordamos bem cedo lá em Roma e, magicamente, conseguimos sair de casa no horário combinado. A mágica foi nos programarmos para sair meia hora antes. Assim, nosso tradicional atraso de meia hora deu o tempo certinho. Marcelo e io fomos apertatti no banco de trás, que nem na ida. Chegamos no aeroporto bem cedo, com tempo mais que suficiente para abrir as malas no chão do aeroporto e mudar as coisas de lugar para não ter que pagar excesso de bagagem, para tomar sorvete, para passear pelas lojas do free shop e para ficar dormindo no portão de embarque esperando o voo que estava atrasadão.
   Finalmente, embarcamos de Roma para Paris (capotei, com a cabeça apoiada na mesinha, babando o voo inteiro) e, chegando lá, corremos como se nossas vidas dependessem disso para fazer a conexão para Bremen. Mas o vôo para Bremen também atrasou, então foi tranquilo. Só o que não foi tão tranquilo assim foi saber que nossas bagagens não viriam para Bremen com a gente, por "problemas técnicos" da companhia aérea. Saibam então, desde já, que é essa a razão caso eu apareça com a mesma roupa em muitas fotos.
   Eis então que embarcamos no vôo de Paris para Bremen, num avião que era mais estreito que um ônibus. Sem hipérboles. Era muito pitico! E o vôo durou menos de 2 horas. Vim lendo e nem percebi o tempo passar. Chegando no aeroporto, estavam à nossa espera os novos personagens deste blog: Wolfgang (amigo do meu pai, que trabalhou com ele quando morou no Brasil) com uma bandeirinha do Brasil na mão, Gretel (mulher do Wolfgang), Christel (filha do Wolfgang, 25) e Max (filho do Wolfgang, 28). Os dois não moram mais com os pais, mas vieram passar a semana aqui só pra receber a gente! QUIFOFINHOS!
    Minha mãe foi resolver o problema das bagagens e passar o endereço para eles entregarem as malas, enquanto nós interagíamos com a família Bair. Logo ela voltou e nós fomos para os carros para vir pra casa deles. E adivinha como foi a divisão dos carros: jovens em um e velhos no outro. "Joga as crianças no cercadinho pra elas ficarem amigas!" Esforçamo-nos e no fim das contas foi fácil. O Max é bem legal. Ele tem cabelão, um carro mais velho que eu e fitas cassete de álbuns ao vivo de bandas antigas. E hábitos alemães, tipo abrir a porta do carro pra mim, usar camiseta de manga curta no frio e, sendo o homem mais jovem, ser sempre prestativo. E a Christel é boazinha também. Simpática, delicada, com tom de voz baixo. E ambos falam inglês com sotaque alemão bonitinho.
    Ao som de Queen, saímos de Bremen, onde fica o aeroporto, passamos por Walsrode - que é uma cidade de duas ruas, onde eles estudaram e onde fica o comércio - e viemos para a vila onde eles moram, que chama Hollige e é tão pequena que as ruas não têm nome. É exatamente como eu imaginava a Alemanha: com casinhas marrons de telhado triangular, muitas árvores e gatos. Eles nos mostraram a casa (tem um quarto para cada um! Fiquei chocada! Aliás, estou bem impressionada e até meio encabulada com a hospitalidade. Eles prepararam muita coisa! E na formalidade própria dos europeus) e nós sentamos na mesa da cozinha e começamos a tomar cerveja (até eu tava tomando! Cerveja alemã eu não podia negar, né?), mas logo os mais velhos chegaram, todos se distraíram e eu pude disfarçadamente largar a minha (não tem jeito. Não gosto de pão líquido amargo). A Gretel começou a fazer a janta, que já estava pré-preparada pra gente, enquanto o Wolfgang mostrava o jardim, com composteira, sisterna e gerador solar. Casa sustentável, sabe? Isso que é primeiro mundo!
    Jantamos hamburguer de carne com maçã, batatas assadas e queijos e tomamos suco de flor de sabugueiro (muito delícia!). Depois fomos convidados a nos dirigir ao salão comunal, onde nos sentamos junto à lareira para tomar vinho e ver álbuns de fotos com os quatro e a Catrin, a inquilina deles, que é bem simpática e interessante :) Foi tudo legal e o Wolfgang é engraçado, mas sei lá... Tem toda uma cerimônia, sabe assim? Fomos convocados a ficar lá confraternizando, sendo que na verdade a gente tinha acordado às 6h30 e só queria um pijama emprestado (porque as senhoras bagagens fizeram o favor de não chegar hoje, como o pessoal do aeroporto prometera) para poder capotar.
    Enfim meu pai explicou que a gente estava cansado e pediu licença para ir dormir. Aproveitamos a deixa e fomos todos. Agora estou aqui no meu próprio quarto com aquecedor ligado (porque, né, verão aqui é 14 graus) e o notebook com a bateria prestes a acabar. Então me vou! Beijos, beijos

Sabato, 29 giugno

    Eis que se foi nosso último dia em RÓMA. De manhã, Marcelo, Ana Letícia e io acordamos, fomos pra stazione, compramos os bilhetes e ficamos papeando enquanto tomávamos café. O trem chegou de repente e a gente teve que sair correndo (por cima dos trilhos) para pega-lo a tempo. Com isso, mal dos despedimos da Analê e de Roccasecca e voltamos para Roma.
    O trem não era uma maria fumaça toda clássica. Era bem modernete com bancos de plástico azuis, duros e ruins para dormir, ma va benne. Chegando aqui, descemos na estação Termini e viemos andando para o hotel. 10 minutos depois que a gente chegou, mamma e papà chegaram do hospital e, depois de darmos uma enrolada preguicenta (e de uma briguinha básica cujo tema foi o cabelo do Marcelo e como ele não sabe cuidar), saímos de casa para ir às compras. 
    Pegamos o metrô (dentro do qual eu fui estuprada com os olhos por um cara horroroso, que ficava me secando pegajosamente e murmurando alguma coisa que eu não entendi e fingi que não vi) até um bairro chamado Trastevere, onde esperávamos encontrar vários camelôs e lojas baratas e muitos restaurantes bacanudos, mas estava tudo fechado porque hoje é feriado ¬¬ Só tinha uma meia dúzia de barraquinhas na rua principal, onde eu comprei um vestido e uma calça e a mamãe comprou um casaquinho. A essa altura, os homens já estava de saco cheio, a mamãe decepcionada e eu cansada (só que é aquele cansaço de viagem, que não te permite descansar por causa da obrigação de aproveitar a viagem: "Deixa pra dormir quando voltar para São Paulo" é o que dizem os turistas com olheiras e pés doloridos.). Então, nós fomos todos para a ilha do rio, torcendo para que a sorveteria estivesse aberta. E ESTAVA :D Tomei o sorvete de pistacchio delicioso que o Marcelo tinha pedido da outra vez e um outro que eu não sei do que era, meio rosa, com gosto de flor e cravo. Meio estranho, mas combinou com o de pistache.
   Depois do gelatto para esfriar a cabeça, nos dividimos em meninos e meninas. Eles foram pro hotel e eu e a mamãe fomos pra Rua del Corso, onde tem tutti as lojas de marca e os camelôs juntos. Andamos, andamos, andamos e vimos milhares de coisas lindas muito acima do nosso orçamento. Até que achamos uma lojinha de sapatos bacana a barata, onde eu comprei um mocassim e a mamãe comprou uma sandália gladiador. Bom, na prática, ela comprou os dois para nós duas.
    Feito isso, já desiludidas com os preços das coisas e com as pernas doloridas, nos demos por satisfeitas e decidimos voltar para o hotel. Mas eu não resisti a parar numa última loja com cara de Marina, chamada Brandy Melville, uma espécie de M / Forever 21 versão italiana. A loja era o máximo e tudo que ela vendia era o máximo e, se eu recebesse em euro (bom, se eu recebesse at all), as coisas nem seriam tão caras. Mas como não é o caso, eu me contentei em comprar uma faixa de cabelo (daquelas legais com arame) preta de bolinhas brancas por 3 euros. Viver é caro, minha gente. Viver é muito caro.
    Paramos para comer no McDonalds (ai, tinha que ser ¬¬) e fomos embora. Chegando no hotel, eu e o Marcelo demos uma cochilada enquanto minha mãe e meu pai terminavam de arrumar as malas. Folgados somos, eu sei. Mas, em minha defesa, minha mala já estava arrumadinha - simplesmente porque eu a mantive assim. Fomos acordados às 21h para ir jantar. Fomos os quatro num restaurante aqui perto do hotel aonde já tínhamos ido outras vezes, que tem um garçom simpático que chama Elvis e fala um pouco de português. Toda vez que ele falava "prego" (o que era comum, já que eles usam "prego" para tudo e eu cheguei à conclusão de que o significado é o que você quiser), fazia a mesma piadinha "prego, martelo, parafuso..." Mas como ele é italiano, era sempre engraçadinho.
    Depois da janta, voltamos para o hotel e finalizamos as malas. Agora vamos dormire perche amanhã vamos sair cedinho pra chegar cedo no aeroporto e ter tempo de fazer tudo com calma, sem correr como loucos que nem na ida.
   E como despedida da Itália, fica aqui uma piadinha: Quando o telefone chegou na Itália e foram ensinar os italianos a usa-lo, disseram "Com uma mão, você disca e com a outra você segura o telefone". E a resposta do ragazzo indignado foi: "E com que mão que eu parlo??"

      Ciao. Prego.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Venerdi, 29 giugno

    Se ontem o dia foi cheio e estressante, hoje todos praticamos o hobby dos italianos: o dolce far niente (o doce fazer nada). Acordamos às 7h, tomamos banho e café da manhã e pegamos a estrada. Encontramos com a Ana Letícia perto da cidade dela (Roccasecca) e fomos juntos para uma praia meio perto, chamada Giotto. Eu fui com ela no Cinque Cento branquinho que ela alugou e os 3 Morettis foram no Volvo. Foi uma típica viagem de carro, com música, fotos da estrada, GPS que a gente desobedece e tudo mais.
    Chegando lá na praia, sentamos num restaurantezinho e posso dizer que passamos quase o dia inteiro almoçando. A moça que atendeu a gente estava numa lerdeeeeezaaaa... Eu pedi uma porção de camarão frito que demorou muitos milênios e nem esatava gostosa; uma água natural que veio com gás; e um sorvete de menta que parecia um trident mascado líquido. Mas nada disso me abalou porque a gente estava numa praia super gostosa do Mar Tirreno com uma água linda, flores coloridas e guarda-sóis listrados de azul marinho e branco.
    Depois do almoço milenar, fomos tomar sol e dormir na praia, praticando com perfeição o dolce far niente. O mar estava gelado demais, então eu bem me estiquei na cama e fiquei tomando sol - e dormindo deliciosamente. No fim da tarde, meus pais quiseram ir embora e a Analê convidou eu e o Marcelo para dormirmos na casa dela em Roccasecca e voltarmos para Roma de trem amanhã de manhã. E obviamente, nós viemos. Pegamos umas estradinhas bem bonitas pra chegar até aqui. No caminho, paramos numa farmácia para comprar escovas de dente e soro para lente de contato, que eu consegui pedir através da universal linguagem da mímica e umas poucas palavras arranhadas de italiano. Chegando em Roccasecca deixamos as mochilas na casa dela e fomos andando até o alto da montanha de Roccasecca, onde tem as ruínas do Castelo D'Aquino. Subimos escada que não acabava mais e, quando chegamos quase lá em cima, o caminho das escadas acabou e o castelo estava fechado. QUE BOM, NÉ. Mas, de qualquer forma, não tinha muito o que ver mesmo. Estava tudo em ruínas, não tinha muito pedaço inteiro. O mais legal foi o caminho, que estava cheio de animais selvagens (lê-se calangos, grilos e caracóis) e plantas exóticas (lê-se uma versão gigante daquelas brancas de assoprar, que eu precisei chacoalhar histericamente para fazer as fadinhas voarem, porque não bastou soprar delicadamente, como aparenta na foto singela que o Marcelo tirou de mim), tinha uma vista linda da cidade e nos fez passar por uma igreja com cara de mal-assombrada que conseguimos dar uma fuçada.
    Descemos o morro todo de volta e viemos pegar o carro aqui na casa da Analê para ir no centrinho da cidade tirar dinheiro e tomar gelatto no The Brothers (lê-se DE BRÓÓDERS), que é o point da cidade: uma lanchonete na frente de um coreto. Fim.  Porque, na boa, a cidade não tem mais nada. A Lê vai precisar de muuuita criatividade para arrumar o que fazer aqui sozinha durante 1 mês. Com certeza vai ser um período de intensa reflexão e auto-conhecimento. Num lugar lindo, com vilarejos bucólicos em que as casas têm jardineiras floridas nas janelas e há gatos nas ruas.
    Viemos para casa manggiare pizza e pasta preparadas pela chef Ana Letícia, vindas diretamente das embalagens de comida pronta do supermercado, e ficamos papeando na mesa sobre lembranças engraçadas da Austrália, viagens, truques de mágica e gatos, enquanto comíamos chocolate e tomávamos (bom, eles tomavam) vinho e comíamos (bom, eu comia) chocolate. Agora, todos já nos recolhemos e os dois já pegaram no sono. E é bom eu ir também porque o trem sai cedo amanhã e eu preciso de energia (que, no caso, vai-me ser dada em forma de café) para passar meu último dia na Itália.
    Baci a tutti! Buonanotte!

Giovedi, 28 giugno

       Hoje foi dia de hemodiálise do papà, então mamma e ele acordaram cedinho e foram pro hospital enquanto eu e Marcelo ficamos a dormire no hotel. Quando eram umas 9h45, a gente acordou e foi correndo tomar o café da manhã que acabava às 10h. Manggiamo, tomamos banho e fomos encontrar com os senhores progenitores na entrada do Vaticano. Eles chegaram atrasados e stressados porque tinha dado pau no cartão de novo e o caixa tinha engolido o cartão da minha mãe e o Vaticano fechava às 15h. E eu também já tinha sentido minha TPM à flor da pele quando fiquei exageradamente irritada por causa de uma americana folgada que inventou de passar na nossa frente na fila de comprar bilhete do metrô porque estava "in a hurry". FILHOTA, EU SOU PAULISTA! EU ESTOU SEMPRE IN A HURRY E NEM POR ISSO EU FURO FILA!
    Enfins, ja mi tava impacientti e ainda me aparece um monte de brasileiro pentelho me rodeando no Vaticano e meus pais me chegam com aquela cara de cocô. Bom, fomos levando, fingindo que tava tudo bem pra ver se ficava tudo bem mesmo. Eis que pegamos a primeira das filas: para passar as mochilas pelo raio-x. Depois fomos para a segunda fila, onde alugamos os audio-guias pra Basílica de São Pedro (tinha em português! YAY!). Depois entramos na Basílica e ficamos ouvindo o guia e olhando pras coisi tutti. Eu acho tudo isso meio esquisito, na verdade. Gosto muito de conhecer essas coisas, mas me incomoda que uma igreja tenha se tornado algo tão comercial e me incomodou o jeito como a mulherzinha do audio-guia falava sobre as obras, lendo trechos da bíblia como se fosse uma missa (mas isso eu acho que é porque eu não sou bem-resolvida sobre a minha religião. Ainda não sei no que acredito). Além disso, eu sempre fico com uma sensação de que não estou aproveitando direito o lugar. É tudo tão enorme e imponente e eu sinto como se não fosse capaz de apreciar aquilo devidamente. Como se eu fosse supposed to fazer alguma coisa. Sei lá...
    Enfim, passeei pela Basílica me impressionando com o tamanho absurdo das coisas. E saindo de lá, começamos a jornada em busca da Capela Sistina. O lugar é todo super mal-sinalizada e lotado. E a gente teve que sair do Vaticano e dar uma puta volta pelos muros pra chegar na entrada da Capela e dos museus. Tudo isso, IN A HURRY, as always. Porque já eram mais de 15h e a Capela fechava às 16h. Entramos pela passagem pros museus (que era super moderna não-poética e mais parecia uma estação de metrô) e tivemos que pagar o ingresso (que custou os olhos de la cara!) completo, mesmo querendo ver só a capela. Ultrapassada essa etapa, começamos a odisseia até a capela. Mano, passamos por infinitos corredores, sério. O caminho era muito labiríntico e não acabava nuncaaaa! No fim das contar a capela não é um edifício. É uma sala dentro de um castelo. E nós tivemos que passar por todos os cômodos que levavam até ela. Que estavam cheios de obras, que a gente não conseguiu apreciar porque estávamos correndo pra chegar a tempo na capela, e de turistas irritantes com câmeras e celulares na mão, em grupos guiados que ficavam parando no meio do caminho e fazendo os corredores ficarem iguaizinhos ao metrô às 18h.
     Toda essa turistice foi bem chata, mas fiquei feliz quando finalmente chegamos na capela (apesar de não ter clima nenhuuuum lá dentro. É uma sala, em que o povo se amontoa no meio e uns guardas italianos ficam rondando, gritando pras pessoas fazerem silêncio e não tirarem fotos). O Michelangelo realmente era fodãozão. O teto parecia 3D, juro por dio.
    Finalizada a visita ao país do papa, a gente tomou um lanchinho perto dos camelôs mais baratos da cidade (onde comprei por 1 euro chaveiros que até então eu só tinha visto por 3 :D) e voltou para o hotel. Chegando aqui, todos capotamos e acalmamos os ânimos, que ficaram muito instáveis o dia inteiro. Saímos todos calmos para jantar, num novo restaurante da redondeza - o mais bonitinho que já fomos até agora, cujo banheiro (como vários outros por aqui) tem um pedal para ligar e desligar a torneira. Comemos e agora voltamos para o hotel. Ninguém está com muito sono por causa da nossa soneca do fim da tarde. Mas já já vamos dormire porque amanhã vamos viajar pra praia perto da casa da Ana Letícia ;)
    Arrivederci! ;D

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Mercoledi, 26 giugno

Hoje nós fomos tutti viajare! Acordamos bem cedinho, tomamos café da manhã e a Ana Letícia veio encontrar com gente aqui na frente do hotel. Pegamos o carro e partimos para Siena, na Toscana. Por mais que eu quisesse ficar acordada para ver a paisagem e tudo mais, o caminho estava longo demais e eu capoteizão. Fizemos uma parada pra manggiare e mijare e seguimos viagem.
Chegando em Siena, demos umas boas voltas pra conseguir parar o carro e fomos a pé para o centro da cidade. Andamos por centenas de ruinhas estreitas e poéticas, com casas de tijolinhos e jardineiras floridas nas varandas. Paramos para almoçar na praça onde todo ano acontece o Palio – e esse ano vai ser 1 semana depois da gente ir embora! CAZZO! –, que é uma corrida de cavalo fodona. Eles colocam areia ao redor da praça, fazendo uma pista de corrida e as pessoas assistem do meio da praça (o que deve ser o equivalente ao Tobogã do Pacaembu, em termos brasileiros de qualidade de visão e de preço) ou das arquibancadas ao redor da pista (que devem ser o CAMARÓTTE!). Depois do almoço, fomos numa gelatteria ali do lado que tinha umas janelas poéticas e muitos sorvetes gostosos.
Enquanto eu tomava meu gelato linda e bela na janela da Toscana com mi amica, o cartão de crédito do meu pai estava sendo engolido pelo caixa eletrônico e fodendo o rolê. Mais pela tromba que meu pai amarrou depois do ocorrido do que pelos problemas que isso causou em si. Ele tentou ligar pro Banco do Brasil, mas ninguém resolveu niente e aí ele ficou NAQUELE mau-humor o resto do dia. Mas nada que nos impedisse de seguir a caminhada pelas ruas encantadoras, de comprar chaveirinhos, camisetas e cartões postais nas lojinhas de souvenirs e de passar vontade nas vitrines das lojas de bolsas de couro carésimas.
No final da tarde, chegamos numa praça enorme com uma igreja enorme, com um cara pequeno tocando músicas lindas num acordeão, que tinha um som tão maravilhoso que eu achei que viesse de um órgão dentro da igreja. Ficamos fazendo uma hora na escadaria da igreja, sob o sol da Toscana e depois começamos o caminho de volta para o carro – que demorou mais uma boa hora.
Entramos em nostro Volvo (onde eu fui bem espremida, no meio do banco de trás) e pegamos a estrada de volta a Roma.  No caminho, vimos um monte de arco-íris. Sério. Tudo aqui é tão lindo o tempo todo que as coisas lindas acabam sendo ofuscadas pelas lindezas das outras coisas. Viemos conversando sobre línguas, sobre como todos já estamos com um pouco de SOTÁQUE ITALIÁÁNOOO! e aprendendo com a Analê umas palavras em norueguês. Chegamos em Roma às 21h30, deixamos a Le no hotel dela e fomos jantar na rua do lado. Comemos massa, falando sobre as manifestações, a política e os problemas do Brasil – sobre os quais estamos meio desatualizados na verdade, porque ninguém está parando para ler direito na internet – enquanto passava na TV do restaurante o jogo do Brasil contra o Uruguai. AI, FIFA, COMO TU É.
Agora voltamos para o hotel e a povo já tá tutti dormindo aqui. Já já io vou também. Bacio a tutti! Ciao!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Martedi, 25 giugno



O relato de hoje começa na madrugada, que foi interrompida mais de uma vez por ligações da ADT (empresa de segurança que cuida dos alarmes lá de casa) dizendo que o alarme tinha disparado na sala. Ficamos preocupados, mas imaginamos que fosse o gato. CATZO, KATZEN! Lanjal, seu inconveniente. Falamos, então, com a nossa heroína Ana Claudia e mais tarde ela foi verificar a casa e viu que estava tudo bem e devia ter sido só o gato mesmo.
Às 6h, meus pais acordaram e foram para o hospital, onde meu pai fez sua hemodiálise muito bem sucedida com a Dona Margheritta. Às 8h, eu e o Marcelo levantamos e nos arrumamos para ir andar de vespa! Fomos de metrô até o lugar que aluga e pegamos uma motinho por 4 horas. Chegamos lá achando que íamos junto com um grupo fazer um tour pela cidade e tal e qual não foi nossa surpresa quando o cara entregou na nossa mão a chave, um par de capacetes e um mapa da cidade e disse “Ciao!” Aceito o desafio, partimos pela cidade. Como já era de se esperar, erramos o caminho uma infinidade de vezes, mas a maioria das vezes em pequena proporção. Nesse meio tempo, nós: passamos pelo Coliseu pelo menos umas 7 vezes; passamos pela Via Appia Antica, que depois minha mãe falou que é a estrada mais antiga do mundo; nos perdemos e pedimos informação para soldados italianos (que de contradisseram nas informações quando um deles falou durante uns 5 minutos em italiano para explicar o caminho e a tradução do outro para nós foi: "lá.") fomos nas catacumbas, ao lado de um campo florido a-la-noviça-rebelde, onde fomos guiados por um indiano católico que falava inglês e nos mostrou todos os túmulos dos católicos que lá foram enterrados; tivemos a moto batida por uma mulher que deixou o carro escorregar para trás na hora de dar partida; fomos no Circo Masssimo, um campo gigante com um pinheiro no meio, que costumava ser um espaço de festas e desfiles na Roma Antiga; caímos de moto (Isso mesmo. Caímos. No chão e tal. A moto derrapou numa curva. Mas estávamos bem devagarinho e não pegou nada. Minha perna deu uma torcida que doeu um pouco na hora - e da qual eu devia ter me aproveitado para fingir um desmaio na hora que passou um italiano todo gracinha perguntando se estava tudo bem -, mas logo passou. Nós subimos de volta na Vespa e lasciaremo), atravessamos o rio e passamos na frente do Castelo de San’Angello.
Depois de devolver a moto, encontramos com o mamma e babo na estação de metrô e fomos almoçar num restaurante bem gracinha que tinha ali por perto. Dessa vez eu pedi spaghetti e estava bem bom. O Marcelo pediu uma lasanha que estava MOLTO BUONNA! A melhor que eu já comi, ouso dizer. Depois do almoço, fomos até o Treatro di Marcelo. Nem sabíamos direito o que era, mas sabíamos que era um teatro e que o nome era Marcelo. Demos uma fuçada no guia e descobrimos que era um teatro de arena, que existia antes do Coliseu e no qual ele foi inspirado. Na verdade, nem tinha como entrar no teatro, mas foi bonito olhar por fora.
Seguimos então para a Isola, uma ilha no meio do rio, onde tinha a sorveteria mais deliciosa onde nós já fomos até agora. Comi uns sorvetes de nozes e canela que estava MARAVILHA DE JESUS!  E o Marcelo pediu um de pistache que MEEEU DEUUUS! Seguimos então para o Castelo de Sant’Angello, porque todos queríamos entrar, mas as coisas eram tão longe, tem tão pouco metrô aqui e a gente estava andando tão devagar que só conseguimos chegar lá às 19h e o Castelo já estava fechado. Mas estávamos todos cansados demais para lamentar tanto assim.
Voltamos a andar até chegar no metrô e viemos para o hotel. Tomamos banho (e qual não foi minha surpresa ao ficar nua e notar que fiquei que nem um pimentão, com a marca da camiseta porque fiquei andando de moto das 10h às 14h sem protetor solar!) e nos recompusemos. Aí então, Marcelo e eu fomos encontrar com a Senhora Ana Letícia, personagem recorrente de meus blogs, amiga brasileira que conheci na Austrália e está morando na Itália até que consiga seu passaporte europeu para ir morar na Noruega com seu namorado, Simen, que conheceu numa das noites em que fomos gandaiar em Sidney. Nós três pegamos o metrô para o Hard Rock Café Roma (pronunciado corretamente como RÁRDE RÓQUE RÓMA), que o senhor meu irmão queria porque queria conhecer. Tomamos uns bons drinks, servidos por um garçom que era una grazzinha e comemos umas boas bruschettas e petisquinhos americanos fritos e foi bem divertido. Amanhã vamos para a Toscana e a Analê vai cunóis. Agora vou dormire perché já é 1h34 da mattinata e a gente pretende sair de Roma às 7h30.
Ciao!

Lunedi, 24 giugno

Hoje de manhã, nós acordamos, tomamos café da manhã no hotel – com direito a todas as delícias que isso implica –, pegamos o carro e fomos descobrir como chega no hospital onde o papai vai fazer hemodiálise. Não descobrimos catzo nenhum porque nos perdemos milhares de vezes e acabamos fazendo um caminho sem sentido. Chegando lá, falamos com a simpática Dona Margheritta e confirmamos tudo para amanhã. Paramos num café bacaninha e, na volta, prestamos mais atenção no caminho e erramos menos – mas ainda é uma luta andar pelas ruas sem faixa dessa cidade, onde os carros estacionam em fila dupla sem medo de ser feliz.
Voltamos pro hotel pra deixar o carro e pegamos o metrô para LO COLOSSEO! Comemos gelatto na estação, ao lado de um restaurante cujo cardápio tinha na capa a foto de um gladiador comendo spaghetti, e passamos por várias bancas que vendiam escudos e capacetes romanos. Aí então, entramos na fila para o Coliseu. Não estava tãããoo grande assim e tinha vários atrativos que nos impediram de ficar entediados: o próprio coliseu, porque a fila já era meio que dentro dele; duas brasileiras simpáticas que compartilharam com a gente a desaprovação pelo japonês folgado que tentou ser malandro e furar fila na nossa frente; e uma menina espanhola linda de morrer. Sério. Uma das mulheres mais bonitas que eu já vi na vida.
Compramos os ingressos e fomos seguindo uma guia italiana que falava inglês DAQUÉLE JEITÓÓ!! Ela falou várias coisas interessantes: que as lutas lá dentro eram ou de gladiadores profissionais ou de condenados fugindo de leões (ou tigres ou ursos ou elefantes ou qualquer animal feroz trazido de qualquer parte do Império Romano); que o chão era de arena (“areia” em italiano) e daí veio o nome deste formato; que as pessoas sentavam nas arquibancadas em separação de classe e gênero e mais umas curiosidades e tals. Mas, enfim, o lugar é impressionantemente grande e bonito! É muito muito legal mesmo. E, de lá, dá pra ver mais um monte de ruínas que tem em volta. Mas, eu já nem sei o que significam todas elas. Todo lugar que você olha nessa cidade tem alguma coisa grande e velha. Não dá nem pra saber o que é importante e o que não é.
Visto o Coliseu, fomos andando pra Fontana de Trevi, a famosa fonte onde você joga moeda pra garantir que vai voltar a Roma. E não tinha nada de bonito, poético e tranquilo. Era um mar de turistas com uma fonte no meio. Puta pé no saco! É um parto para encontrar um cantinho onde a foto saia boa. E o Marcelo tacou a moeda dele em alguém porque, sabe, tinha umas 31973184981046019 pessoas entre ele e a água.
Depois da Fontana de Trevi, comemos umas pizzas num restaurantezinha com mesas na calçada, numa das vielas típicas de paralelepípedo e prédios antigos salmão e amarelos e seguimos para a Piazza Navoni, onde tinha mais uns monumentos e fontes grandes e velhos e um monte de barraquinha com gente vendendo coisinhas e desenhos. O sol estava se pondo, então a luz estava linda. Tudo poético e romântico, com mesinhas de restaurantes pelas calçadas. Iludida pelo clima apaixonante de Roma – e porque eu sou bem tonta e sempre caio nessas coisas – eu resolvi que queria fazer uma caricatura da família. Sentamos lá os quatro na primeira barraquinha que vimos e o cara nos desenhou. Foi caro e ficou péssimo. Como sempre. Nunca fiz uma caricatura boa na vida. Nunca fica parecido e eu sempre acabo tentando de novo achando que dessa vez vai dar certo. Além disso, os italianos são tão simpáticos! E ficam olhando com aquela cara de cachorrinho pra você comprar o que eles estão vendendo. É difícil dizer não!
Saindo da Piazza Navona, pegamos um ônibus até o metrô e de lá, voltamos para o hotel. Quando estávamos quase aqui, eu recebi a ligação inusitadíssima da senhora Letícia Frstr, que só queria mandar um beijo e me deixar confusa. Deixamos as coisas aqui e fomos jantar num restaurante todo italianão na rua do lado. Italianão na comida, apenas, porque o garçom era um egípcio mulherengo e o que tocava era música de balada americana. Mas a comida foi a melhor até o momento. Pedi um risoto 4 formaggio, que estava bem bom.

Exaustos estamos, pois já são mais de 23h e andamos para catzo o dia inteiro. Então vou dormire. Buonanotte!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Domenica, 23 giugno

Buona sera, amici brasiliani!
Estamos em Roma! Eeeee! Chegamos no aeroporto ontem bem atrasados e fizemos tudo correndo, mas deu tempo de embarcar bonitinho. Mamãe e papai foram juntos lá na frente e eu e o Marcelo juntos lá atrás. Nunca dormi tanto num vôo, porque nunca peguei um avião tão cansada. Basicamente, eu não fiz nada além de dormir e comer. Não li nenhum livro, não escrevi no diário, não assisti nenhum filme e nenhuma série. Encostei o travesseiro no ombro do Marcelo e capotei. Acordei com torcicolo e mudei pra posição sala-de-aula (deitar com a cabeça na mesinha). Acordei com dor nas costas e voltei pro ombro do Marcelo. Assim foram as 12 horas. Só na última meia hora, depois do café da manhã (no qual eu tive a infeliz ideia de experimentar suco de tomate) que eu joguei um pacman tabajara, que eram neandertais fugindo de mamutes. Chegando em Paris, fizemos a conexão meio corrida porque só tínhamos 1h20 e tivemos que voltar um montão para pegar o cartão de embarque e só tinham 2 pessoas atendendo na fila gigantesca da polícia federal. Enfins, conseguimos pegar o voo para Roma a tempo e cá estamos! :D
Chegamos no aeroporto (onde as staffs andavam de patinete! He.)e fomos pegar o carro na Hertz. Como não tinha o carro que a gente tinha pedido, que era grande e tals, eles deram um outro mais bacanudo pelo mesmo preço. Só que esse bacanudo era um Volvo, cujo porta-malas é do tamanho da pia da minha cozinha. Dito isto, Marcelo e io fomos de pernas de índio e costas de corcunda de Notre Damme no banco de trás junto com duas malas, uma mochila, uma bolsa e muitos casacos.
Passamos por ruas bonitas e arborizadas e pra qualquer lado que olhássemos tinha alguma construção enorme e monumental com cara de 3000 anos de história, mas não passamos pelos pontos turísticos mais reconhecíveis. Nos perdemos um pouco, mas nada preocupante já que - como lembrou o Marcelo - "todos os caminhos levam a Roma".  Tivemos que parar para pedir informação mais de uma vez (viva a mamãe poliglota!), porque o nosso hotel chama Galles e nos quarteirões vizinhos tem um hotel Galle e um hotel Principe Galles. Sabe? Podiam dar uma facilitada!
Chegamos no hotel, fizemos check-in e fomos para o quarto, que tem paredes verdes fofinhas, móveis de madeira e um mezanino, onde ficam as camas onde eu e o Marcelo vamos dormir. E onde dormimos a tarde inteira. Meus pais também deram uma cochilada, mas umas 18h acordaram com a ligação da nossa vizinha avisando que a Makali tinha fugido. Ligaram para a Nacraudia, a heroína dos cães, e ela vai ficar com a cachorrinha na casa dela até a gente voltar pra que isso não se repita. Papai e mamãe acordaram a gente e fomos todos andar pelas ruas e tomar gelatto! Estava um tempo delicioso, daquele que não é nem frio, nem aquele calor insuportável, é um calorzinho gostoso de começo de noite. Primeiro, fomos na estação de metrô gigantona que tem aqui perto, a Termino, para comprar um guia da cidade. E, BITCHES. O que reza a lenda é absoluta verdade: QUANTO. HOMEM. BONITO. Sério. Me apaixonei pelo menos umas 5 vezes nesse passeiozinho. O cara da banca tinha um olho tão verde e tão lindo! Dio santo! Marcelo e eu já combinamos de ir pra night algum dia porque, sabe, não dá pra ir embora sem tirar uma casquinha. E também porque vai ser divertido encher a cara com o fratello na Itália.
Comprado o guia, passamos por um parque, onde tinha um monumento rodeado por centenas de gatos, que pareceram ter surgido só para dar sentido ao nome deste blog. Só dos que eu consegui ver, contei 16. De todas as cores e tamanhos! Voltamos, então, para nossa empreitada em busca da gelatteria Fasso. O povo dava altas buzinadas nas ruas em pleno domingo, todas as instruções que recebemos foram muito vagas e mal explicadas e, quando chegamos na gelatteria, a fila para pedir o sorvete era um amontoado de gente igual bar de balada, o que prova verdadeira mais uma das encantadoras famas da Itália: a baderna. Em desacato à nutricionista, comi uma casquinha com duas bolonas de gelatto de menta e chocolate. E depois da sobremesa, fomos procurar um lugar pra jantar.
Pegamos o metrô e descemos perto de uma barraquinha de roupas, que tinha uns vestidos, umas batas e umas calças saruel lindas, que mamma e io precisamos revisitar sem os homens para conseguir ver as coisas direito. Quando começou a anoitecer, umas 21h, paramos num restaurante de pizzas e massas, brindamos um vinho e comemos nossos macarrões ao som de um sanfonista tocando a música do poderoso chefão e a tarantela. Sem espaço na barriga para sobremesas, pedimos a conta para o italiano gordão que falava com tanta intensidade que parecia estar xingando a gente o tempo todo e voltamos para o hotel. Como a internet é paga, cada um só pode usar 15 minutos por dia (O QUE É ÓÓÓTIMO! Sem ironia nenhuma). Então, todo mundo já capotou (depois da máxima do meu pai: “Marcelo e Marina, não desçam aqui no meio da noite porque eu e a mamãe estamos no clima apaixonado de Roma” ÉCAT!). Só sobrei eu, escritora oficial de diários de bordo.
Va benne. Vou dormir também. Buonanotte!