quarta-feira, 10 de julho de 2013

Domingo, 7 de julho

 “Ai, ai, ai ai... Tá chegando a hora...” Acordei hoje umas 9h no meu último dia na Alemanha, me fiz apresentável e fui tomar café da manhã com os pais lá fora. Voltei pra cama por mais um tempinho depois do café e acordei de novo para arrumar as malas. Ficamos trocando as coisas de lugar e pesando as malas para não exceder o limite em nenhuma e fizemos o milagre da diminuição dos quilos, porque o peso total dava mais do que 4x 23kg e a gente fez conseguiu não exceder o peso.
  As malas ficaram prontas e fomos almoçar num restaurante na vila do lado. Comi um prato delicioso, de lombo com molho de champignon e uma salada maravilhosa e umas bolinhas de batata fritas do amor! E ainda tomei uma cerveja com limonada e meio sorvete com framboesas e cerejas! Estava muito delícia! E o almoço em si foi muito gostoso também... Todo mundo em clima de despedida... Meu pai fez um discurso todo bonitinho agradecendo por tudo e dizendo que a gente gostou muito de ficar com eles e que ficaríamos felizes em recebê-los no Brasil e/ou em viajar junto com eles para algum outro lugar <3
    Já em cima da hora, saímos do restaurante meio corridos e fomos pra casa pegar as malas e tomar banho para ir pro aeroporto. Uma sequência de 10 fotos com todos. Um último passeio com o Volvo 1992. Uma última lojinha de souvenirs. Um último café. Três abraços. Um último tchauzinho pelo batente do raio-x.
  Foram-se então o voo Bremen-Paris, as 4 horas de aeroporto e o embarque Paris-São Paulo. A janta de avião ao som de uma sinfonia de bebês chorando, um sudoko bem sucedido e um mal, algumas horas de sono e o último post do blog.
    Ai, que tristeza. Não quero voltar pra vida. Quero amigos e bichos, mas não quero ZAT, Dia da Ameixa, Macunaíma, nutricionista, depilação, dermatologista, trocar tênis, fazer esteira, procurar estágio, responder atualizações do facebook, ajudar TCCs, fazer arrumação no quarto, desfazer malas, trânsito, fila, stress, frio, chuva, São Paulo. Eu gosto de São Paulo, gosto mesmo. Acho o máximo viver numa cidade onde sempre tem coisa pra fazer, que não tem domingo nem feriado que faça as pessoas pararem de trabalhar, que nunca para. Mas acho que eu também gosto de parar. E a cidade me condicionou a achar que é normal viver desse jeito. Mas esse ritmo não é normal nem saudável. Acho que não era pra vida ser tão complicada assim. Talvez eu pudesse ser mais feliz num lugar onde as coisas funcionam e as pessoas se satisfazem com menos. E aos que acham que europeus são certinhos ou frios demais, saibam que eles se abraçam, atravessam fora da faixa e comem o resto do prato do outro. E são felizes com batatas frescas e um lago com castor.

    Talvez eu esteja iludida, confundindo ritmo de férias com ritmo de fora de São Paulo. Ou ritmo de cidadezinha minúscula do interior da Alemanha com ritmo de fora de São Paulo. Mas fica aqui a reflexão. E a experiência. E a lembrança. E o sorriso saudoso.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Samstag, 6 Juli

    Hoje foi o dia mais legal de todos! Foi gostoso e relaxante como uma viagem deve ser :) Agora que já estamos aqui há quase uma semana, está todo mundo mais integrado, com menos cerimônias e mais piadas internas. Que droga que a gente vai embora amanhããã D:
    Sem hora para acordar, eu, o Marcelo e o Max dormimos até tarde para compensar a noite anterior, mas não tão tarde que nos fizesse perder a manhã. Tomei café da manhã e depois fui com a Gretel e a mamãe comprar batatas. Haha. A gente foi num lugar que vendia “tudo da fazenda” (que tinha uma gatinha branca, amarela e preta deitada na porta pedindo carinho! AIII QUE SAUDADE DOS MEUS CAPUTINHOOOOS!) e compramos batatas que tinham sido colhidas hoje de manhã para comer hoje no almoço! NÃO É O MÁXIMO?! Depois, fomos na casa de um paisagista para ver o jardim dele, que é mó lindão, cheio de flores coloridas de vários tipos e tamanhos. Fiquei brincando de tirar fotos mudando a profundidade de campo. He. E também tinha um gato! Inteiro branco e lindo.
    Voltamos pra casa, matamos um pouco o tempo e logo o papai e o Wolfgang chegaram da hemodiálise e a Gretel preparou o almoço pra gente. Era peixe com batatas e estava uma delícia, como sempre. Hoje estava bem calor (uns 26ºC, o que é bastante pra Alemanha) e o Max queria ir nadar no lago. Então, eu, ele, o Marcelo e a Catrin colocamos nossas roupas de banho e fomos de bicicleta até o lago. Foram 9km pra ir e 9km pra voltar! Só que as estradas são todas planas e a maioria é asfaltada, então nem parece tanto assim. Sem falar que bicicleta com marcha é ooooutro esquema, né?
    Chegamos no lago e era tipo uma prainha de grama. Tinha crianças brincando na margem com barcos de isopor e um deque de onde elas pulavam. Crianças <3 O Max foi o primeiro a entrar, pulando do deque. A Catrin entrou logo depois pela margem mesmo, fazendo seus membros congelarem aos poucos. O Marcelo pulou da corda de Tarzan que tinha amarrada numa árvore e eu fiquei enrolando milênios até entrar, porque a água estava M-U-I-T-O gelada e eu sou do tipo de pessoa que só entra na piscina quando está 35ºC. Mas também sou do tipo de pessoa que se arrepende quando deixa de fazer alguma coisa numa viagem. Como me arrependi de não ter entrado no mar lá na Itália. Então, no fim das contas, eu entrei. E nós fizemos sequências de 10 fotos para os pulos de todos :D
   Depois, ficamos deitados na grama, tomando sol e cervejas e fizemos uma sinfonia de “Smoke on the water” soprando o gargalo das garrafas. Enquanto isso, cucos cantavam, crianças corriam e gritavam e eu aprendi a minha palavra preferida em alemão “caput!” (o ponto de exclamação faz parte da entonação com que as pessoas falam e me faz gostar mais da palavra) que significa quase a mesma coisa que capotar. Uma vez secos e descansados, pegamos as bicicletas de volta para casa, passando pelos campos de milho, trigo, morango, batata, pinheiros, sabugueiros, vacas, cavalos, ovelhas e tantos outros.
    De volta à casa, nós fizemos um bom churrasquinho de salsichas alemãs com o Jurgen, um alemão que também foi colega do meu pai na mesma época que o Wolfgang, e a esposa brasileira, Lucia. Eu e o Marcelo ensinamos o Max a fazer caipirinha e fizemos 2 rodadas (a segunda só para os fortes) pra galera. Ficamos papeando no jardim, misturando inglês, português e alemão, sendo o Jurgen o único capaz de entender tudo, até que foi escurecendo e entardecendo e o pessoal foi dispersando. O Jurgen e a Lucia foram embora, meu pai foi dormir, o Marcelo saiu de fininho, minha mãe e a Gretel também foram pra cama... Sobramos eu, o Wolfgang, o Max e a Catrin, olhando as estrelas, procurando satélites e estrelas cadentes. O céu estava limpo e lindo de novo.
    O Wolfgang e a Catrin também foram deitar e eu e o Max ficamos conversando e procurando ver uma última estrela cadente antes de ir dormir. E ele me ensinou a falar “milchstraße” (via lactea), que também está entre as minhas palavras preferidas. Se rolou um clima? Talvez. Acho meio inevitável quando duas pessoas estão sozinhas no escuro, olhando as estrelas e falando de relacionamentos. Mas não aconteceu nada. Ele fumou seu último cigarro e viemos dormir. Já são mais de 2h da manhã e eu estou prestes a caput! Gutte Nacht ;)

sábado, 6 de julho de 2013

Freitag, 5 Juli

    Hoje foi dia de mais uma viagem dentro da viagem! Fomos todos para Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha. Saímos daqui umas 9h30 e chegamos lá quase às 11h. Dessa vez foi todo mundo (menos a Catrin, que estava trabalhando)! Chegando lá, demos uma passeada por um bairro chique, algo tipo os Jardins, onde só tinha casarão: tanto novo, todo modernete e quadradão, quanto antigo, todo clássico. Depois disso, paramos o carro e fomos até o porto da cidade fazer um passeio de barco. O barco passou pelo porto todo e o guia ficou fazendo vários barulhos no microfone enquanto a gente passava na frente das coisas. Vimos uns navios cargueiros gigantescos e os super guindastes que colocavam os containers neles, o prédio wanna be Opera House que está sendo construído pra ópera da Hamburgo, os depósitos antigos onde ficam armazenadas as mercadorias, e um navio que leva pra China os restos de carros que são reciclados e vendidos como novos carros.
    Depois do tour, a gente foi almoçar num restaurante de peixe e frutos do mar e pedimos uma porção de peixe frito que vinha acompanhada de batata (purê, souté e assada) e molho tártaro. Tava MÓ BOM! E de sobremesa pedi Apfelstrüdel que, ao contrário do que todos pensam no Brasil, é um prato austríaco e os alemães nem acham muita graça. Depois do almoço, a gente foi numa catedral (também protestante), que tinha uma torre onde dava para subir para observar a cidade. Os pais não quiseram subir. As mães foram de elevador. E as crianças subiram de escada. POOORRAAA! Foram muitos e muitos degraus! Deu pra cansar, viu? Lá em cima tinha uma vista bem bonita, mas o dia estava meio nublado =/ Mesmo assim foi bonito ver a represa e o porto e tudo mais. Descemos de elevador porque o Marcelo ficou meio sem ar com a subida e demos uma olhada na igreja lá embaixo, na parte do altar mesmo.
    Passeamos por umas lojinhas de souvenirs ao redor da igreja e depois nos dividimos em três grupos: Marcelo e Max foram numa casa mal assombrada esquema parque de diversões, mamãe, papai e Gretel foram andar pela cidade e ver lojas e eu e o Wolfgang fomos no museu, onde estava tendo uma exposição de fotografia do Steve McCurry (aquele da foto da mulher de burca que ficou capa da National Geoographic). Adorei a exposição! Acho que nunca fiquei tão genuinamente interessada num museu. As fotos são todas lindas, com cores bonitas e jogo de foco. E são fotos com significado, que emocionam de verdade! Ele fotografa os países que estão em guerra, não no campo de batalha, mas nos arredores. Gostei muitão.
   Depois, a gente deu uma olhada nas outras exposições do museu: roupas, pinturas chinesas e cafonices (Sim. Uma exposição de coisas cafonas. Hahaha! Nunca vi tanta coisa feia na vida!) e foi se encontrar com o resto do povo. Os pais voltaram para casa e eu, o Marcelo e o Max fomos para o Hard Rock Café Hamburgo. Comemos e bebemos e eles ficaram contando como foi na casa mal assombrada e me mostraram as fotos que tiraram lá. Ficaram bem engraçadas! Depois da janta, fomos nos encontrar com o David (amigo do Max) e a namorada dele (Anna, eu acho) para irmos pra night. E foi aí que eu lembrei quão mulambenta eu estava. Meu cabelo já estava vencendo o prazo de validade e eu estava com roupa de andar na cidade, não de paquerar alemães. Oh well.
    Nossa primeira parada foi num bar que ficava na beirada do porto e tinha areia no chão, bem wanna be quiosque de praia. Todo mundo tomou cerveja e eu um coquetel de cranberry vodka (1). Ficamos lá um tempinho e seguimos para a rua badalada, onde ficam todos os bares, baladas, strip clubs, puteiros, bares gays e tudo mais. Paramos para o David e a Anna comerem e todos bebermos cerveja (2), o Marcelo e o Max foram na rua proibida para mulheres (o que eu achei uma grande discriminação com as gays), onde as prostitutas ficam sentadas nas vitrines, chamando os caras para entrar e depois todos fomos para o Barbara Bar. Tomamos cervejas (3) e eles quatro jogaram pebolim enquanto eu fotografava, porque, né, esportes. O bar estava mega vazio (não sabemos direito porquê), então fomos procurar outro. Essa (e muitas outras) que é a vantagem de não precisar pagar pra entrar! Ficamos pulando de bar em bar a noite toda!
    O segundo bar era meio baladinha e estava bem mais animado! Tomei uma caipirinha (4) que estava gostosa, mas bem mais fraca que a brasileira e um coquetel chamado Mogli (5). Enquanto isso, os alemães tomando uma cerveja atrás da outra (o Max já tinha parado, porque ia dirigir na volta, né?). Eles estão de parabéns, viu? Estão comprovando sua fama. Como bebe esse povo! Eles oferecem coisa pra gente beber o tempo todo! E não estou me referindo só ao álcool, mas à capacidade de ingerir líquido mesmo. E, mano. Eu não sei o que acontece aqui na Europa! O organismo funciona diferente, não é possível. Eu não fiquei nada bêbada, nem o Marcelo! E a gastrite da minha mãe não atacou na Itália, mesmo ela comendo molho de tomate e tomando vinho todo dia! 
    Enfins, depois desse bar/baladinha, a gente voltou pro Barbara Bar, que já estava bem mais animado e tocava músicas legais. Ficamos lá um tempo, mas o pessoal quis sair porque estava muito cheio. Nisso, o David e a Anna já queriam ir embora. Eu, o Marcelo e o Max demos mais uma andada, mas acabamos indo embora também, para a decepção do Marcelo, que foi embora sem pegar uma alemãzinha (apesar do David e do Max terem dito que seria muito fácil para ele, porque ser brasileiro bastava). Ainda estava cedo (era tipo 1h) e, nesse aspecto, os brasileiros são bem mais festeiros. Mas achei perfeitamente compreensível porque o Max ainda teve que dirigir mais de uma hora na estrada pra voltar pra casa.
    Chegamos agora e o céu está maravilhoso! Sem nuvem nenhuma e super estrelado! Vi uma estrela cadente e fiz um pedido :D Enfins, agora vou dormir bem quentinha com aquecedor ligado porque tá um puta frio (em escala brasileira) lá fora. Küsse!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Donnerstag, 4 Juli

   Hoje foi dia de hemodiálise de novo e, como combinado, eu, o Marcelo, o Max e a minha mãe fomos para Hannover! Foi mais de 1 hora de estrada e eu não vi a que velocidade o Max chegou dessa vez. Chegando lá, a primeira coisa que fizemos foi ver o muro! É um pedaço do muro que eles pegaram de Berlim, levaram para lá e colocaram uma plaquinha para virar monumento. Uma vez tocado e fotografado, o muro ficou para trás e nós seguimos a vida para uma loja de música, onde o Marcelo e o Max ficaram horas surtando (contidamente, como todo bom roqueiro cabeludo) com os CDs, DVDs, LPs e posters. Eu e minha mãe ficamos lá um tempo e depois fomos passear pelas outras lojinhas da rua.
    Depois de vermos todas as lojas e de eu e o Marcelo brigarmos por causa da estupidez dele com a minha pessoa, nós fomos para o Town Hall, um prédio bonito de 100 anos, que é tipo a prefeitura da cidade. Lá dentro tinha umas maquetes da cidade de Hannover em 1690, quando era só um vilarejzinho, em 1939, logo antes da guerra, em 1945, logo depois da guerra e atualmente. Mó legal! Ficamos tirando foto e comparando os prédios. Depois, subimos (com um elevador que tinha o teto e o chão de vidro e subia na diagonal!!) até a torre altona do prédio, de onde dá pra ver a cidade toda. Essas coisas sempre são legais! E tinha crianças fofas e loiras para me alegrar, enquanto eu me preocupava em não fazer contato visual com o Marcelo.
    Saímos então de Haannover e viemos para Walsrode comer kebap (é tipo um churrasco grego, só que mais elaborado e infinitamente mais higiênico que os de São Paulo). Estava gostoso, mas descobri que também não sou muito fã de repolho em grande quantidade. Passamos no supermercado, deixamos as compras em casa e minha mãe no museu de Walsrode, onde ela se encontrou com o Wolfgang e o meu pai, que foram para lá depois da visita à fábrica de Mercedes, que fizeram saindo da hemodiálise. Meu pai contou que a maior parte do processo é feita por robôs e é tudo perfeitamente sincronizado e eles produzem 377 carros por turno (cada dia tem 3 turnos). E tem todo um serviço para confortar o cliente, enquanto ele espera seu carro ficar pronto.
    Enquanto eles visitavam o museu, eu, o Max e o Marcelo buscamos a Johanna (prima do Max) e fomos andar de caiaque. Não sei porque eu insisto nesses esportes aquáticos (não sei porque eu insisto em qualquer esporte, na verdade). Fiquei ensopada e o Marcelo ficou me dando mais patadas, às quais eu tive vontade de responder com remadas. No queixo. Mas, enfim, não foi tão ruim assim. A gente acabou pegando o jeito, mas eu fiquei bem molhada.
    Depois da caiacada, deixamos a Johanna em casa e viemos para cá. Eu fui direto pro chuveiro porque estava morrendo de frio com aquela roupa encharcada. Depois do banho, eu e o Marcelo brigamos pela terceira vez, eu saí pra andar com a minha mãe e reclamar dele e voltei para jantar (e tive que sorrir e fingir que estava tudo bem pra não ficar climão). Comemos salada, batatas e uma carne maluca que tinha tipo uma gelatina (sem sabor, just so you know) no meio. De sobremesa, morangos (deliciosos) colhidos pela Gretel naquela manhã. E depois saímos todos para andar pela vila até o rio, no anoitecer das 22h. Dessa vez a Catrin e a Gretel foram junto, porque elas já tinham voltado do trabalho. Foi legal, gosto delas :) A Gretel é fofinha, mas não fala quase nada de inglês e a Catrin é toda cosmopolita jovial. Vimos veados, lesmas e morcegos. To adorando essa vida de não-cidade-grande-e-turística-cheia-de-brasileiros-e-vendedores-ambulantes!
    Depois de mais uma leva de cervejas (e vinho! Tomei um vinho que gostei! MILAGRE! Um vinho branco alemão bem gostosinho!), estamos todos indo dormir. Beijos para os brasileiros e boa noite!

Mittwoch, 3 Juli

    Hoje o dia foi bem menos movimentado que ontem. Combinamos todos juntos que hoje não teria hora pra acordar, então a gente levantou tarde, tomou um cafezão da manhã e aí o Max foi levar a Christel na estação (ela voltou pra cidade dela) e o carro dele no mecânico. Meu pai e o Marcelo quiseram ir junto para ver os carros e eu e minha mãe ficamos em casa. Sentei lá fora com o Wolfgang e ele ficou me mostrando as máquinas fotográficas antigas dele da Rollei. Muito legaaais! São tipo de uns 50 anos atrás! E estão super bem preservadas! Ainda funcionam direitinho! Pena que não tinha filme =/
    Depois que os meninos voltaram, a gente foi todo mundo (andar pela vila. Fomos até umas fazendas que tem aqui na rua, onde tinha (um fedor dos infernos e) uns chiqueiros cheios de porco gordinhos e rosinhas e imundinhos e moscas. Voltamos para casa e íamos sair para almoçar, mas eu e o Marcelo resolvemos tomar banho antes e aí as coisas atrasaram e, como os restaurantes aqui fecham às 14h, a gente resolveu ficar e fazer almoço em casa mesmo. Minha mãe e a Gretel saíram para comprar as coisas e comemos um bom spaghetti à Dona Márcia! 
   Nosso almoção foi até às 16h, o que nos fez perder mais um passeio: o museu de Walsrode, que estava fechado quando chegamos. Fomos então para uma cafeteria da cidade - que tinha o incrível sistema de deixar um bloquinho na mesa com os itens do menu para os clientes marcarem o que querem e entregarem ao garçom - onde eu tomei um Schokolade Cinnamon e a galera tomou café. Demos mais uma andada pela cidade e por um parque bonitinho e voltamos pra casa. No caminho, eu o Max e o Marcelo paramos na casa da tia do Max pra ver se a prima dele queria sair com a gente mais tarde. Ela não quis, mas a relevância de contar isso está no fato de que a tia dele é muito legal. Ela é escocesa e tem aquele inglês bonito de escocesa e é engraçada e tem o olho incrivelmente azul.
    Voltamos para casa e logo (ainda só nós 3, porque os casais foram assistir um concerto numa igreja) saímos de novo para ir no show de uma banda cover do ACDC em Walsrode. Foi bacaninha :)  A banda era boa e eu comi minha primeira salsicha alemã! YAY! Mas nós fomos embora antes que o show acabasse e todos os motoqueiros e pessoas mal-encaradas ao nosso redor ficassem bêbados e fomos para um (ou "o", devido às proporções da cidade) bar tomar mais cerveja. E éramos as únicas pessoas no bar. Nós e a atendente. O engraçado é que os próprios moradores da cidade fazem piada sobre a monotonia dela. No show, o vocalista falou "Eu estou muito feliz que metade da cidade está aqui!" e tinha tipo umas 200 pessoas.
    Viemos para casa - e, no caminho, vimos veados! YAY! -, jantamos, jogamos um jogo de palitinhos (não "O jogo do palitinho", só um jogo com palitihos) alemão divertidinho e agora vamos todos dormir. Auf Wiedersehen!

Dienstag, 2 Juli

    MANO. Eu nunca tive tanta catota na vida. Sério, aqui e na Itália! Não sei se é o clima ou qualequié, mas não para de formar bolinha de meleca. Mas tem que fazer a fina na frente dos alemães, né? ;)
    Hoje, meu pai teve a primeira hemodiálise aqui na Alemanha e foi tuuudo gut! Ele, o Wolfgang e a mamma foram para o hospital de diálise de Bremem bem de manhãzinha e deu tudo certo. Uma das enfermeiras é uma colombiana, que fala um pouco de português e é fluente em inglês, alemão e (dã) espanhol. Sabe, essa gente me inspira. Que nem minha mãe. Já tô toda querendo aprender italiano, fracês, espanhol... (alemão, um dia quem sabe... Mas não é prioridade). 
    Enquanto isso, aqui na casa da família Bair, eu, o Marcelo e o Max dormimos até mais tarde, tomamos café da manhã com queijos e geleias alemães, ao som de música alemã e ficamos conversando sobre o muro de Berlim. O Max falou que tem um pedacinho em Hannover e a gente pode ir lá ver na quinta de manhã, enquanto meu pai estiver na hemodiálise :) E ele contou que, quando tinha uns 5 anos, foi pra Berlim com os pais e eles mostraram o muro e disseram que se ele fosse para o outro lado, levaria um tiro.

    (Pausa para silêncio e cara de "Puta... Foda.")


    No wonder que ninguém liga para esses pedaços de muro e não transforma numa atração turística e não cobra ingresso pras pessoas tocarem e essas coisas de Itália. Todo mundo está feliz demais por ele ter sido derrubado!
    Bom, saímos os três de casa e fomos (à 160km/h nas estradas alemãs sem limite de velocidade) encontrar os outros três em Bremem. Passamos no hospital e depois fomos todos para a IKEA. Ai-fãquim-quia. Dieser Platz ist ein Paradies! Fico maluca com tanta coisa bonita e barata! E saio brincando de usar tudo! Abro as portas e gavetas de todos os armários, as torneiras das pias, as tampas das cafeteiras. É um parque de diversões para adultos! Fiquei inspiradíssima para terminar a decoração do meu quarto (toda ajuda é bem vinda)! E, mais do que isso, fiquei morrendo de vontade de ir morar sozinha. Um dos cenários montados era um "One lady's apartment" de 25m², que era puro amor. Vou copiar aquela planta quando for morar sozinha num apartamento no centro.
    Depois do longo caminho pelos corredores ikeanos, a gente parou para almoçar no restaurante da própria loja. Me enchi de almôndegas com salada e purê de batata, que estavam uma delícia, e depois abri o compartimento da sobremesa e ainda comi mais um bolinho de chocolate que estava maravilha-de-deus! Saindo da Ikea (cuja pronúncia certa, descobri, é iquea) e fomos andar pelo centro de Bremem. Vimos uma catedral protestante que foi uma das igrejas mais lindas que eu já vi (se não A mais linda). A arquitetura era simples, apesar de ser bem grande, mas o teto e as colunas eram todos pintados com estampas em vermelho, azul e amarelo-ouro! Tirei umas fotos legais ;)
    Na mesma praça que a igreja, tinha a famosa estátua dos músicos de Bremem! É uma galinha em cima de um gato, em cima de um cachorro, em cima de um jumento. Muito gracinha! Fiquei lembrando de quando apresentei os Saltimbancos e de como eu preciso ir atrás deste bendito DVD! Depois, fomos andar pela cidade e passamos por ruas estreitíssimas com casinhas lindas e lojas de souvenirs com variações da estátua, tomamos sorvete (pra não perder o hábito ;D) e pegamos a estrada para casa.
    Chegando aqui, eu fui descer a motherfucking-íngrime escada que dá pro meu quarto de meia calça e caí. Sabia que isso ia acontecer em algum momento. Mas nem foi nada demais, meu pé escorregou uns 7 degraus e eu dei uma torcida no braço, só. E ninguém viu, para rir ou ficar over preocupado. Sentamos lá fora e ficamos bebendo, porque afinal, estamos na Alemanha e é assim que se faz aqui. Tomei uma cerveja laranja de menininha, que vem misturada com um suco, e é bem gostosinha! E aí eu e o Marcelo fizemos caipirinhas pra eles e o mundo começou a ficar um pouquinho mais lento. Jantamos todos e depois eu e o Marcelo ensinamos o Max e a Christel a jogar sueca. Hehe. Foi legal :D
    Letztlich, ich schlafe. Gute Nacht!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Montag, 1 Juli

    Acordei belamente com a luz do sol alemão entrando pela janela, antes mesmo do despertador tocar (o que foi LINDO, porque eu odeio ser acordada com despertador e fazia muuuuito tempo que eu não acordava por conta própria). Desci para o banheiro (que é vermelho e lindo e tem o chão aque-fucking-cido!) e tomei banho com sabonete líquido. O da pia. Que estava lá para as pessoas lavarem as mãos com ele. E eu usei pro corpo todo e o cabelo. À essa altura, meu caro leitor já deve ter deduzido que as malas ainda não haviam chegado.
    Linda e cheirosa, com as roupas fedidas que usei ontem o dia inteiro, fui pra cozinha tomar café da manhã. Eles tinham preparado um banquete pra gente! Com várias geleias, nutella, manteiga, ovo quente, croissant, suco, café, tudo maravilha de jesus! Comi infinitos. Depois, o Wolfgang me chamou e me deu uma caixinha de cartões que ele fez para mim com fotos de pichações de Roma! Olha que fofo!
    Então, o Wolfgang levou a gente pra dar uma passeada de carro pelas redondezas. Passamos por estradinhas rodeadas por mato e geradores eólicos, paramos em um castelo (bom, o Wolfgang chamou de castelo, mas parecia só uma casa grande de tijolos marrons à la Alemanha), numa ponte que passava por cima do rio da cidade e ficava no meio da floresta, no jardim de um casarão de descendentes da família real e em duas igrejas protestantes (é bem mais simples que a Católica, sem todos aqueles arabescos e coisas caras e rebuscadas. Acho isso bem mais certo, pra falar a verdade). Tirei um monte de foto e senti que está rolando uma evolução na minha capacidade fotográfica. Eu já consigo manipular melhor os elementos pra foto sair do jeito que eu quero, que nem sempre é o que o fotômetro indica. To orgulhosinha :D
    O Max ligou avisando que as malas tinham chegado e nós viemos para casa pega-lo para irmos almoçar. Então nos dividimos em 2 carros de novo: jovens no Volvo vermelho 1992 roots e mais velhos no Volvo preto modernão e bonitão. Comemos num restaurante que fica numa vila próxima a Holligge, que servia comida típica da região. Comi (bagarai) uma carne que eles chamavam de salsicha "desmontada" mas parecia carne moída e vinha com batata assada. E no compartimento secreto do estômago reservado para a sobremesa, coloquei um Crème Brulée.
     Demos uma andada por essa vila, que tinha umas lojinhas bacanas e casas lindas com janelas coloridas, flores e bicicletas. Depoishen disso, a gente foi no museu do Otto Whatever, um pintor alemão que fazia uns quadros bem bonitos de paisagens da região. Uma parte do museu tinha unas cadernos onde ele fazia desenhos a lápis e a nanquin e eu percebi que eu realmente fico maravilhada com essas coisas. Quero muito aprender a desenhar!
     Não satisfeitos, fomos para o shopping center da cidade. Eu e os meninos vimos roupas enquanto minha mãe e os homens viram coisas para a casa. Não compramos nada porque tudo estava caro. E voltamos pra casa, onde tomamos champagne (Dio Santo! To bebendo de tutti aqui! Muito chique o negócio) e distribuímos presentes: havainas, paçoquinha, pé-de-moleque, castanha-de-caju, e essas brasileirices :) Aí então, fomos jantar e eu me senti a frescona da gringa. Eu sou super tranquila pra comer, comi de tudo e tals. Mas eles conseguiram me servir em um dia todas as únicas coisas que eu não gosto: sopa, azeitona, água com gás e picles. E um dos queijos, que eu resolvi experimentar e tinha gosto de vômito. Aí eu recusei/deixei comida no prato e fiquei com mó vergonhashein mimimi...
    Enfins, ao final do jantar, enquanto comíamos chocolate Gulyver, o Wolfgang começou a falar sobre a nossa ida a Berlim. Eu já tava toda empolgadona quando meu pai começou a falar que é longe demais e pipipi e popopó e que a gente podia ir pra algum lugar mais perto, tipo Hamburgo. Hunf. Queria ir pra Berlim. Não que eu saiba o que teria pra fazer lá além de ver os pedaços que sobraram do muro. Mas queria. Em face do meu descontentamento, a fofa da Catrin ficou tentando me convencer de que Hamburgo é mais legal que Berlim. De fato, parece bem bonito pelas fotos que eu vi. Mas, mimimi, capital.
    Oh well, não seja mimada, Marina. Durma e aproveite os campos alemães pela manhã. Gutte Nacht ;)