quarta-feira, 10 de julho de 2013

Domingo, 7 de julho

 “Ai, ai, ai ai... Tá chegando a hora...” Acordei hoje umas 9h no meu último dia na Alemanha, me fiz apresentável e fui tomar café da manhã com os pais lá fora. Voltei pra cama por mais um tempinho depois do café e acordei de novo para arrumar as malas. Ficamos trocando as coisas de lugar e pesando as malas para não exceder o limite em nenhuma e fizemos o milagre da diminuição dos quilos, porque o peso total dava mais do que 4x 23kg e a gente fez conseguiu não exceder o peso.
  As malas ficaram prontas e fomos almoçar num restaurante na vila do lado. Comi um prato delicioso, de lombo com molho de champignon e uma salada maravilhosa e umas bolinhas de batata fritas do amor! E ainda tomei uma cerveja com limonada e meio sorvete com framboesas e cerejas! Estava muito delícia! E o almoço em si foi muito gostoso também... Todo mundo em clima de despedida... Meu pai fez um discurso todo bonitinho agradecendo por tudo e dizendo que a gente gostou muito de ficar com eles e que ficaríamos felizes em recebê-los no Brasil e/ou em viajar junto com eles para algum outro lugar <3
    Já em cima da hora, saímos do restaurante meio corridos e fomos pra casa pegar as malas e tomar banho para ir pro aeroporto. Uma sequência de 10 fotos com todos. Um último passeio com o Volvo 1992. Uma última lojinha de souvenirs. Um último café. Três abraços. Um último tchauzinho pelo batente do raio-x.
  Foram-se então o voo Bremen-Paris, as 4 horas de aeroporto e o embarque Paris-São Paulo. A janta de avião ao som de uma sinfonia de bebês chorando, um sudoko bem sucedido e um mal, algumas horas de sono e o último post do blog.
    Ai, que tristeza. Não quero voltar pra vida. Quero amigos e bichos, mas não quero ZAT, Dia da Ameixa, Macunaíma, nutricionista, depilação, dermatologista, trocar tênis, fazer esteira, procurar estágio, responder atualizações do facebook, ajudar TCCs, fazer arrumação no quarto, desfazer malas, trânsito, fila, stress, frio, chuva, São Paulo. Eu gosto de São Paulo, gosto mesmo. Acho o máximo viver numa cidade onde sempre tem coisa pra fazer, que não tem domingo nem feriado que faça as pessoas pararem de trabalhar, que nunca para. Mas acho que eu também gosto de parar. E a cidade me condicionou a achar que é normal viver desse jeito. Mas esse ritmo não é normal nem saudável. Acho que não era pra vida ser tão complicada assim. Talvez eu pudesse ser mais feliz num lugar onde as coisas funcionam e as pessoas se satisfazem com menos. E aos que acham que europeus são certinhos ou frios demais, saibam que eles se abraçam, atravessam fora da faixa e comem o resto do prato do outro. E são felizes com batatas frescas e um lago com castor.

    Talvez eu esteja iludida, confundindo ritmo de férias com ritmo de fora de São Paulo. Ou ritmo de cidadezinha minúscula do interior da Alemanha com ritmo de fora de São Paulo. Mas fica aqui a reflexão. E a experiência. E a lembrança. E o sorriso saudoso.

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