“Ai,
ai, ai ai... Tá chegando a hora...” Acordei hoje umas 9h no meu
último dia na Alemanha, me fiz apresentável e fui tomar café da
manhã com os pais lá fora. Voltei pra cama por mais um tempinho
depois do café e acordei de novo para arrumar as malas. Ficamos
trocando as coisas de lugar e pesando as malas para não exceder o
limite em nenhuma e fizemos o milagre da diminuição dos quilos,
porque o peso total dava mais do que 4x 23kg e a gente fez conseguiu
não exceder o peso.
As
malas ficaram prontas e fomos almoçar num restaurante na vila do
lado. Comi um prato delicioso, de lombo com molho de champignon e uma
salada maravilhosa e umas bolinhas de batata fritas do amor! E ainda
tomei uma cerveja com limonada e meio sorvete com framboesas e
cerejas! Estava muito delícia! E o almoço em si foi muito gostoso
também... Todo mundo em clima de despedida... Meu pai fez um
discurso todo bonitinho agradecendo por tudo e dizendo que a gente
gostou muito de ficar com eles e que ficaríamos felizes em
recebê-los no Brasil e/ou em viajar junto com eles para algum outro
lugar <3
Já
em cima da hora, saímos do restaurante meio corridos e fomos pra
casa pegar as malas e tomar banho para ir pro aeroporto. Uma
sequência de 10 fotos com todos. Um último passeio com o Volvo
1992. Uma última lojinha de souvenirs. Um último café. Três
abraços. Um último tchauzinho pelo batente do raio-x.
Foram-se
então o voo Bremen-Paris, as 4 horas de aeroporto e o embarque
Paris-São Paulo. A janta de avião ao som de uma sinfonia de bebês
chorando, um sudoko bem sucedido e um mal, algumas horas de sono e o
último post do blog.
Ai,
que tristeza. Não quero voltar pra vida. Quero amigos e bichos, mas
não quero ZAT, Dia da Ameixa, Macunaíma, nutricionista, depilação,
dermatologista, trocar tênis, fazer esteira, procurar estágio,
responder atualizações do facebook, ajudar TCCs, fazer arrumação
no quarto, desfazer malas, trânsito, fila, stress, frio, chuva, São
Paulo. Eu gosto de São Paulo, gosto mesmo. Acho o máximo viver numa
cidade onde sempre tem coisa pra fazer, que não tem domingo nem
feriado que faça as pessoas pararem de trabalhar, que nunca para.
Mas acho que eu também gosto de parar. E a cidade me condicionou a
achar que é normal viver desse jeito. Mas esse ritmo não é normal
nem saudável. Acho que não era pra vida ser tão complicada assim.
Talvez eu pudesse ser mais feliz num lugar onde as coisas funcionam e
as pessoas se satisfazem com menos. E aos que acham que europeus são
certinhos ou frios demais, saibam que eles se abraçam, atravessam
fora da faixa e comem o resto do prato do outro. E são felizes com
batatas frescas e um lago com castor.
Talvez
eu esteja iludida, confundindo ritmo de férias com ritmo de fora de
São Paulo. Ou ritmo de cidadezinha minúscula do interior da
Alemanha com ritmo de fora de São Paulo. Mas fica aqui a reflexão.
E a experiência. E a lembrança. E o sorriso saudoso.
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